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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013



Esta é uma pequena síntese dos nossos dias de trabalho na Guiné-Bissau. Muito mais haveria para contar, mas essas serão outras “estórias”.


Tabanca de Tabandinto

09 de Fevereiro

Saímos de Bafatá às 9:00, entusiasmados com o início da amostragem da nossa 3ª tabanca. Aparentemente a mesma situava-se num local de fácil acesso, mas só depois de uma hora de viagem conseguimos lá chegar! A estrada foi-se transformado num quase trilho para “cabras”. Isto leva-nos a pensar como serão os acessos às tabancas mais isoladas?

Às 10:30 reunimo-nos com os “homis garandis” para explicar o objectivo do nosso trabalho com a ajuda do tradutor “Engenheiro” Quebá. No fim, terminámos a conversa com oferendas de pão, açúcar e warga (chá verde). Partimos para o 1º ponto de amostragem, acompanhados por um grupo de pessoas da tabanca, curiosos/desconfiados, sobre o que iríamos fazer nos seus terrenos.

Escolhemos o 1º ponto de amostragem e a equipa seguiu para o local. É um de três pontos realizados em floresta, para além de mais três em cajual. 

Floresta aberta
Cajual

O Agostinho e o Quebá iniciaram as medições e a identificação da vegetação e a Sasha começou os transectos de captura e identificação das borboletas, sempre acompanhada pelo Mamadu, uma tímida mas sorridente criança de 14 anos. 

Sasha e Mamadu

Depois da “caça” à borboleta, fez 8 pontos de batimentos na vegetação, para captura de artrópodes (restantes insectos e aracnídeos). O trabalho das duas equipas demorou cerca de 2 horas, terminando mesmo em boa hora para almoçar. A equipa almoçou com os acompanhantes da tabanca, partilhando a comida e a boa disposição.
 Almoço com os acompanhantes curiosos da tabanca

Finda a refeição, a equipa seguiu para o próximo ponto, desta vez em cajual. O processo foi semelhante ao anterior e entretanto começaram a dispersar os nossos acompanhantes, depois de perceberem que afinal o nosso trabalho apesar de estranho, é inofensivo. 

Terminado o 2º ponto, regressámos à tabanca para renovar o stock de água (aqui o calor é tanto que a quantidade de água bebida por dia é impressionante). Eram 15:00 e a temperatura ia nos 40ºC. O Marco ficou na tabanca à espera das 16:00 para dar início ao percurso pedestre da tarde. Às 16:20 iniciou o mesmo acompanhado por dois caçadores locais. Apontou avistamentos de aves, mamíferos e outros indícios de presença como pegadas e dejectos, contando com a ajuda e experiência dos caçadores. A paisagem alternou entre cajual e floresta aberta. Subitamente avistaram uma ave de rapina pousada a 100 m e um dos caçadores perguntou se lhe podia dar um tiro para ajudar na identificação! Claro que não, mas os caçadores não ficaram muito convencidos por não poderem ajudar. O percurso de 4km terminou por volta das 18:30, com algumas observações interessantes.

Pegada de macaco












O Marco e os prestáveis caçadores regressaram à tabanca, onde os restantes elementos da equipa os esperavam e confraternizavam com os locais. Como até aqui, é uma tabanca cheia de crianças. Combinámos o regresso para o dia seguinte às 08:00 e regressámos a Bafatá, com mais uma hora de árdua viagem.
Em Bafatá, jantámos, preparámos algumas coisas para o dia seguinte e tentámos dormir cedo.


10 de Fevereiro

Às 08:00 em ponto a equipa chegou à tabanca. O pessoal da vegetação e dos artrópodes seguiu para os últimos 3 pontos de amostragem, enquanto o Marco e os caçadores iniciaram o percurso da manhã, no qual os limária (animais) estavam mais activos. Avistaram abutres a voar juntamente com milhafres, macacos, esquilos, aves grandes, pequenas e algumas estranhamente coloridas.

Rolieiro
Terminado o percurso às 12:00, o grupo reuniu-se no último ponto de amostragem, desta vez num cajual maduro. A Sasha caçou os artrópodes e o Agostinho e Quebá terminaram as últimas medições. Às 13:00 começámos a almoçar e os enlatados ainda sabem maravilhas tal é a fome!

Regressamos à tabanca para nos despedirmos e, como sempre, houve montes de sorrisos e acenos.
Chegamos a Bafatá às 15:00, com um montão de tarefas domésticas para realizar. No dia seguinte organizámos os dados recolhidos no campo e preparámos o material para a tabanca seguinte!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Primeira tabanca terminada


Terminamos a amostragem na primeira tabanca. Fomos bem recebidos e as tarefas foram concretizadas sem complicações. Venha a próxima !

Deixamos aqui algumas fotos da primeira amostragem oficial.
Agostinho "Antoninho" a tirar as medidas às árvores com um hipsómetro        

"Engenheiro" Quebá a medir os diâmetros das árvores


Uma lala - terreno temporariamente alagado
Marco "Chic Norr" e o monteadur (caçador) da tabanca

Cabeça-de-martelo
Luís "Omi Grande" em acção !
Sasha "Firfiro" a transportar os seus "bitchus" (borboletas, restantes insectos e aranhas)
 Os bitchus

O sorriso de um apanhador de cocos
Kasa di baga-baga (termiteira) - uma obra arquitectónica