Esta é uma pequena síntese dos nossos dias de trabalho na Guiné-Bissau. Muito mais haveria
para contar, mas essas serão outras “estórias”.
Tabanca de Tabandinto
09 de Fevereiro
Saímos de Bafatá às 9:00,
entusiasmados com o início da amostragem da nossa 3ª tabanca. Aparentemente a
mesma situava-se num local de fácil acesso, mas só depois de uma hora de
viagem conseguimos lá chegar! A estrada foi-se transformado num quase trilho para
“cabras”. Isto leva-nos a pensar como serão os acessos às tabancas mais
isoladas?
Às 10:30 reunimo-nos com os
“homis garandis” para explicar o objectivo do nosso trabalho com a ajuda do
tradutor “Engenheiro” Quebá. No fim, terminámos a conversa com oferendas de
pão, açúcar e warga (chá verde). Partimos para o 1º ponto de amostragem,
acompanhados por um grupo de pessoas da tabanca, curiosos/desconfiados, sobre o
que iríamos fazer nos seus terrenos.
Escolhemos o 1º ponto de
amostragem e a equipa seguiu para o local. É um de três pontos realizados em
floresta, para além de mais três em cajual.
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| Floresta aberta |
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| Cajual |
O Agostinho e o Quebá iniciaram as medições e a identificação da
vegetação e a Sasha começou os transectos de captura e identificação das
borboletas, sempre acompanhada pelo Mamadu, uma tímida mas sorridente criança
de 14 anos.
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| Sasha e Mamadu |
Depois da “caça” à borboleta, fez 8 pontos de batimentos na
vegetação, para captura de artrópodes (restantes insectos e aracnídeos). O trabalho
das duas equipas demorou cerca de 2 horas, terminando mesmo em boa hora para
almoçar. A equipa almoçou com os acompanhantes da tabanca, partilhando a comida e
a boa disposição.
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| Almoço com os acompanhantes curiosos da tabanca |
Finda a refeição, a equipa seguiu para o próximo ponto, desta vez em cajual. O processo foi semelhante ao anterior e entretanto
começaram a dispersar os nossos acompanhantes, depois de perceberem que afinal
o nosso trabalho apesar de estranho, é inofensivo.
Terminado o 2º ponto, regressámos
à tabanca para renovar o stock de água (aqui o calor é tanto que a quantidade
de água bebida por dia é impressionante). Eram 15:00 e a temperatura ia nos
40ºC. O Marco ficou na tabanca à espera das 16:00 para dar início ao percurso
pedestre da tarde. Às 16:20 iniciou o mesmo acompanhado por dois caçadores
locais. Apontou avistamentos de aves, mamíferos e outros indícios de presença como pegadas
e dejectos, contando com a ajuda e experiência dos caçadores. A paisagem
alternou entre cajual e floresta aberta. Subitamente avistaram uma ave de
rapina pousada a 100 m e um dos caçadores perguntou se lhe podia dar um
tiro para ajudar na identificação! Claro que não, mas os caçadores não ficaram
muito convencidos por não poderem ajudar. O percurso de 4km terminou por volta
das 18:30, com algumas observações interessantes.
| Pegada de macaco |
O Marco e os prestáveis caçadores regressaram à tabanca, onde os restantes elementos da equipa os esperavam e confraternizavam com os locais. Como até aqui, é uma tabanca cheia de crianças. Combinámos o regresso para o dia seguinte às 08:00 e regressámos a Bafatá, com mais uma hora de árdua viagem.
Em Bafatá, jantámos, preparámos
algumas coisas para o dia seguinte e tentámos dormir cedo.
10 de Fevereiro
Às 08:00 em ponto a equipa chegou
à tabanca. O pessoal da vegetação e dos artrópodes seguiu para os últimos 3
pontos de amostragem, enquanto o Marco e os caçadores iniciaram o percurso da
manhã, no qual os limária (animais) estavam mais activos. Avistaram abutres a
voar juntamente com milhafres, macacos, esquilos, aves grandes, pequenas e
algumas estranhamente coloridas.
Terminado o percurso às 12:00, o grupo reuniu-se
no último ponto de amostragem, desta vez num cajual maduro. A Sasha caçou os artrópodes
e o Agostinho e Quebá terminaram as últimas medições. Às 13:00 começámos a
almoçar e os enlatados ainda sabem maravilhas tal é a fome!
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| Rolieiro |
Regressamos à tabanca para nos
despedirmos e, como sempre, houve montes de sorrisos e acenos.
Chegamos a Bafatá às 15:00, com
um montão de tarefas domésticas para realizar. No dia seguinte organizámos os
dados recolhidos no campo e preparámos o material para a tabanca seguinte!




