Sobre o blogue e o projeto CajuGB
Este blogue foi
criado como uma forma de fazer um relato do decorrer da missão de trabalho de
campo na Guiné-Bissau que está a decorrer até meados de 2013 no âmbito do
projeto CajuGB e e de dar notícias aos familiares e amigos dos membros da
equipa do projeto.
O projeto CajuGB - O
Caju na África Ocidental: desafios socio-económicos e ambientais da expansão de
uma cultura de rendimento - é
um projeto de investigação científica financiado pela Fundação para a Ciência e
a Tecnologia (referência PTDC/AFR/117785/2010). Foi iniciado em
Fevereiro de 2012 e tem a duração de três anos. O projeto é executado pelo
Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) e pelo Centro de Investigação
em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto (CIBIO) com a
colaboração na Guiné-Bissau do Instituto da Biodiversidade e das Áreas
Protegidas (IBAP), Secretaria de Estado do Ambiente e Turismo (SEAT) e
Ministério do Comércio.
A equipa do projeto é
a seguinte
Luís Catarino (IICT, Investigador Responsável); Agostinho Palminha (bolseiro do projeto), Ana Cabral (IICT), Duarte Oom (bolseiro de doutoramento ISA), João Carreiras (IICT), Luís Mendes (IICT), Luís Palma (CIBIO), Luís Reino (CIBIO), Marco Mirinha (CIBIO), Maria José Vasconcelos (IICT), Marina Temudo (IICT), Patrícia Rodrigues (bolseira CIBIO/IICT), Pedro Beja (CIBIO), Pedro Santos (bolseiro do projeto), Rui Figueira (IICT), Sasha Vasconcelos (bolseira CIBIO/IICT), Viriato Cassamá (SEAT, Guiné-Bissau), Yusufo Menezes (INEP, Guiné-Bissau).
Luís Catarino (IICT, Investigador Responsável); Agostinho Palminha (bolseiro do projeto), Ana Cabral (IICT), Duarte Oom (bolseiro de doutoramento ISA), João Carreiras (IICT), Luís Mendes (IICT), Luís Palma (CIBIO), Luís Reino (CIBIO), Marco Mirinha (CIBIO), Maria José Vasconcelos (IICT), Marina Temudo (IICT), Patrícia Rodrigues (bolseira CIBIO/IICT), Pedro Beja (CIBIO), Pedro Santos (bolseiro do projeto), Rui Figueira (IICT), Sasha Vasconcelos (bolseira CIBIO/IICT), Viriato Cassamá (SEAT, Guiné-Bissau), Yusufo Menezes (INEP, Guiné-Bissau).
Sobre
o projeto
A
África Ocidental (AO) alberga uma das mais modificadas paisagens florestais
tropicais, caracterizando-se frequentemente por um mosaico
floresta-savana-agricultura. Neste complexo sistema sócio-ecológico, os modos
de vida das comunidades rurais e o estado da biodiversidade estão intimamente
ligados ao uso do solo, particularmente para a agricultura. Nas últimas décadas
o cultivo itinerante com pousios longos foi substituído por pousios curtos e
culturas permanentes, como o cajueiro (Anacardium
occidentale). Tal pode resultar em mudanças significativas, embora ainda
mal compreendidas, no coberto do solo, segurança alimentar, organização social
da produção agrícola e nas atitudes e práticas de gestão dos recursos naturais.
Na
Guiné-Bissau (GB) os sistemas agrícolas estavam ligados ao tecido étnico, à
flora característica de cada região e às condições edafo-climáticas. A
agricultura de subsistência prevaleceu na GB após a independência, mas desde
meados dos anos 1980 houve um forte incremento da agricultura comercial, devido
à expansão do cajueiro. Existem condições quase ideais para esta cultura, sendo
os frutos de qualidade superior e biológicos. O caju é cultivado principalmente
por pequenos agricultores em áreas anteriormente de savana e de cultura
itinerante, envolvendo cerca de 85% da população.
A
estrutura dos cajuais é de vegetação lenhosa densa, de pequenas árvores,
monoestrato e monoespecífica. Árvores remanescentes dispersas nem sempre estão
presentes e a diversidade vegetal nos cajuais é presumivelmente menor que nos
pousios e florestas. Com o aumento da área de cajual, a terra destinada a
pousio e a outras culturas diminui e a vegetação natural torna-se cada vez mais
fragmentada, com consequências ainda não estudadas na biodiversidade. Por outro
lado, a procura de serviços dos ecossistemas pode aumentar, levando a uma maior
pressão sobre as áreas remanescentes de vegetação natural. Apesar destes
problemas potenciais, há um desconhecimento do impacto da expansão do caju nos
modos de vida rurais, nos serviços dos ecossistemas e na biodiversidade.
Objetivos
Este projeto visa compreender como a substituição em larga escala da agricultura de subsistência por culturas de rendimento afeta a vida das comunidades rurais, os serviços dos ecossistemas e a biodiversidade na AO, e como essa mudança pode ser gerida de forma positiva para melhorar os impactos sócio-económicos, reduzindo os impactos ambientais negativos. Esta questão será abordada através de um estudo de caso na GB, com os seguintes objetivos específicos:
i. Documentar a expansão do caju e a fragmentação da paisagem associada;
ii. Entender como as culturas de rendimento promovem mudanças nos sistemas de produção, práticas de fogo, meios de subsistência, serviços dos ecossistemas e nas perceções das comunidades rurais sobre as mudanças na paisagem;
iii. Estimar perdas de biodiversidade associada à produção de caju;
iv. Desenvolver cenários de gestão adaptativa que aumentem a segurança alimentar e as condições de subsistência das comunidades rurais, minimizando impactos negativos sobre a biodiversidade e os serviços dos ecossistemas.
Este projeto visa compreender como a substituição em larga escala da agricultura de subsistência por culturas de rendimento afeta a vida das comunidades rurais, os serviços dos ecossistemas e a biodiversidade na AO, e como essa mudança pode ser gerida de forma positiva para melhorar os impactos sócio-económicos, reduzindo os impactos ambientais negativos. Esta questão será abordada através de um estudo de caso na GB, com os seguintes objetivos específicos:
i. Documentar a expansão do caju e a fragmentação da paisagem associada;
ii. Entender como as culturas de rendimento promovem mudanças nos sistemas de produção, práticas de fogo, meios de subsistência, serviços dos ecossistemas e nas perceções das comunidades rurais sobre as mudanças na paisagem;
iii. Estimar perdas de biodiversidade associada à produção de caju;
iv. Desenvolver cenários de gestão adaptativa que aumentem a segurança alimentar e as condições de subsistência das comunidades rurais, minimizando impactos negativos sobre a biodiversidade e os serviços dos ecossistemas.













