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domingo, 3 de março de 2013


Sobre o blogue e o projeto CajuGB
Este blogue foi criado como uma forma de fazer um relato do decorrer da missão de trabalho de campo na Guiné-Bissau que está a decorrer até meados de 2013 no âmbito do projeto CajuGB e e de dar notícias aos familiares e amigos dos membros da equipa do projeto.
O projeto CajuGB - O Caju na África Ocidental: desafios socio-económicos e ambientais da expansão de uma cultura de rendimento - é um projeto de investigação científica financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (referência PTDC/AFR/117785/2010). Foi iniciado em Fevereiro de 2012 e tem a duração de três anos. O projeto é executado pelo Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) e pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto (CIBIO) com a colaboração na Guiné-Bissau do Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP), Secretaria de Estado do Ambiente e Turismo (SEAT) e Ministério do Comércio.
A equipa do projeto é a seguinte
Luís Catarino (IICT, Investigador Responsável); Agostinho Palminha (bolseiro do projeto), Ana Cabral (IICT), Duarte Oom (bolseiro de doutoramento ISA), João Carreiras (IICT), Luís Mendes (IICT), Luís Palma (CIBIO), Luís Reino (CIBIO), Marco Mirinha (CIBIO), Maria José Vasconcelos (IICT), Marina Temudo (IICT), Patrícia Rodrigues (bolseira CIBIO/IICT), Pedro Beja (CIBIO), Pedro Santos (bolseiro do projeto), Rui Figueira (IICT), Sasha Vasconcelos (bolseira CIBIO/IICT), Viriato Cassamá (SEAT, Guiné-Bissau), Yusufo Menezes (INEP, Guiné-Bissau).
Sobre o projeto
A África Ocidental (AO) alberga uma das mais modificadas paisagens florestais tropicais, caracterizando-se frequentemente por um mosaico floresta-savana-agricultura. Neste complexo sistema sócio-ecológico, os modos de vida das comunidades rurais e o estado da biodiversidade estão intimamente ligados ao uso do solo, particularmente para a agricultura. Nas últimas décadas o cultivo itinerante com pousios longos foi substituído por pousios curtos e culturas permanentes, como o cajueiro (Anacardium occidentale). Tal pode resultar em mudanças significativas, embora ainda mal compreendidas, no coberto do solo, segurança alimentar, organização social da produção agrícola e nas atitudes e práticas de gestão dos recursos naturais.
Na Guiné-Bissau (GB) os sistemas agrícolas estavam ligados ao tecido étnico, à flora característica de cada região e às condições edafo-climáticas. A agricultura de subsistência prevaleceu na GB após a independência, mas desde meados dos anos 1980 houve um forte incremento da agricultura comercial, devido à expansão do cajueiro. Existem condições quase ideais para esta cultura, sendo os frutos de qualidade superior e biológicos. O caju é cultivado principalmente por pequenos agricultores em áreas anteriormente de savana e de cultura itinerante, envolvendo cerca de 85% da população.
A estrutura dos cajuais é de vegetação lenhosa densa, de pequenas árvores, monoestrato e monoespecífica. Árvores remanescentes dispersas nem sempre estão presentes e a diversidade vegetal nos cajuais é presumivelmente menor que nos pousios e florestas. Com o aumento da área de cajual, a terra destinada a pousio e a outras culturas diminui e a vegetação natural torna-se cada vez mais fragmentada, com consequências ainda não estudadas na biodiversidade. Por outro lado, a procura de serviços dos ecossistemas pode aumentar, levando a uma maior pressão sobre as áreas remanescentes de vegetação natural. Apesar destes problemas potenciais, há um desconhecimento do impacto da expansão do caju nos modos de vida rurais, nos serviços dos ecossistemas e na biodiversidade.
Objetivos
Este projeto visa compreender como a substituição em larga escala da agricultura de subsistência por culturas de rendimento afeta a vida das comunidades rurais, os serviços dos ecossistemas e a biodiversidade na AO, e como essa mudança pode ser gerida de forma positiva para melhorar os impactos sócio-económicos, reduzindo os impactos ambientais negativos. Esta questão será abordada através de um estudo de caso na GB, com os seguintes objetivos específicos:
i. Documentar a expansão do caju e a fragmentação da paisagem associada;
ii. Entender como as culturas de rendimento promovem mudanças nos sistemas de produção, práticas de fogo, meios de subsistência, serviços dos ecossistemas e nas perceções das comunidades rurais sobre as mudanças na paisagem;
iii. Estimar perdas de biodiversidade associada à produção de caju;
iv. Desenvolver cenários de gestão adaptativa que aumentem a segurança alimentar e as condições de subsistência das comunidades rurais, minimizando impactos negativos sobre a biodiversidade e os serviços dos ecossistemas.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013



Esta é uma pequena síntese dos nossos dias de trabalho na Guiné-Bissau. Muito mais haveria para contar, mas essas serão outras “estórias”.


Tabanca de Tabandinto

09 de Fevereiro

Saímos de Bafatá às 9:00, entusiasmados com o início da amostragem da nossa 3ª tabanca. Aparentemente a mesma situava-se num local de fácil acesso, mas só depois de uma hora de viagem conseguimos lá chegar! A estrada foi-se transformado num quase trilho para “cabras”. Isto leva-nos a pensar como serão os acessos às tabancas mais isoladas?

Às 10:30 reunimo-nos com os “homis garandis” para explicar o objectivo do nosso trabalho com a ajuda do tradutor “Engenheiro” Quebá. No fim, terminámos a conversa com oferendas de pão, açúcar e warga (chá verde). Partimos para o 1º ponto de amostragem, acompanhados por um grupo de pessoas da tabanca, curiosos/desconfiados, sobre o que iríamos fazer nos seus terrenos.

Escolhemos o 1º ponto de amostragem e a equipa seguiu para o local. É um de três pontos realizados em floresta, para além de mais três em cajual. 

Floresta aberta
Cajual

O Agostinho e o Quebá iniciaram as medições e a identificação da vegetação e a Sasha começou os transectos de captura e identificação das borboletas, sempre acompanhada pelo Mamadu, uma tímida mas sorridente criança de 14 anos. 

Sasha e Mamadu

Depois da “caça” à borboleta, fez 8 pontos de batimentos na vegetação, para captura de artrópodes (restantes insectos e aracnídeos). O trabalho das duas equipas demorou cerca de 2 horas, terminando mesmo em boa hora para almoçar. A equipa almoçou com os acompanhantes da tabanca, partilhando a comida e a boa disposição.
 Almoço com os acompanhantes curiosos da tabanca

Finda a refeição, a equipa seguiu para o próximo ponto, desta vez em cajual. O processo foi semelhante ao anterior e entretanto começaram a dispersar os nossos acompanhantes, depois de perceberem que afinal o nosso trabalho apesar de estranho, é inofensivo. 

Terminado o 2º ponto, regressámos à tabanca para renovar o stock de água (aqui o calor é tanto que a quantidade de água bebida por dia é impressionante). Eram 15:00 e a temperatura ia nos 40ºC. O Marco ficou na tabanca à espera das 16:00 para dar início ao percurso pedestre da tarde. Às 16:20 iniciou o mesmo acompanhado por dois caçadores locais. Apontou avistamentos de aves, mamíferos e outros indícios de presença como pegadas e dejectos, contando com a ajuda e experiência dos caçadores. A paisagem alternou entre cajual e floresta aberta. Subitamente avistaram uma ave de rapina pousada a 100 m e um dos caçadores perguntou se lhe podia dar um tiro para ajudar na identificação! Claro que não, mas os caçadores não ficaram muito convencidos por não poderem ajudar. O percurso de 4km terminou por volta das 18:30, com algumas observações interessantes.

Pegada de macaco












O Marco e os prestáveis caçadores regressaram à tabanca, onde os restantes elementos da equipa os esperavam e confraternizavam com os locais. Como até aqui, é uma tabanca cheia de crianças. Combinámos o regresso para o dia seguinte às 08:00 e regressámos a Bafatá, com mais uma hora de árdua viagem.
Em Bafatá, jantámos, preparámos algumas coisas para o dia seguinte e tentámos dormir cedo.


10 de Fevereiro

Às 08:00 em ponto a equipa chegou à tabanca. O pessoal da vegetação e dos artrópodes seguiu para os últimos 3 pontos de amostragem, enquanto o Marco e os caçadores iniciaram o percurso da manhã, no qual os limária (animais) estavam mais activos. Avistaram abutres a voar juntamente com milhafres, macacos, esquilos, aves grandes, pequenas e algumas estranhamente coloridas.

Rolieiro
Terminado o percurso às 12:00, o grupo reuniu-se no último ponto de amostragem, desta vez num cajual maduro. A Sasha caçou os artrópodes e o Agostinho e Quebá terminaram as últimas medições. Às 13:00 começámos a almoçar e os enlatados ainda sabem maravilhas tal é a fome!

Regressamos à tabanca para nos despedirmos e, como sempre, houve montes de sorrisos e acenos.
Chegamos a Bafatá às 15:00, com um montão de tarefas domésticas para realizar. No dia seguinte organizámos os dados recolhidos no campo e preparámos o material para a tabanca seguinte!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Primeira tabanca terminada


Terminamos a amostragem na primeira tabanca. Fomos bem recebidos e as tarefas foram concretizadas sem complicações. Venha a próxima !

Deixamos aqui algumas fotos da primeira amostragem oficial.
Agostinho "Antoninho" a tirar as medidas às árvores com um hipsómetro        

"Engenheiro" Quebá a medir os diâmetros das árvores


Uma lala - terreno temporariamente alagado
Marco "Chic Norr" e o monteadur (caçador) da tabanca

Cabeça-de-martelo
Luís "Omi Grande" em acção !
Sasha "Firfiro" a transportar os seus "bitchus" (borboletas, restantes insectos e aranhas)
 Os bitchus

O sorriso de um apanhador de cocos
Kasa di baga-baga (termiteira) - uma obra arquitectónica







segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Instalados em Bafatá


Uma vez instalados na "sede" em Bafatá e tratadas as burocracias, iniciamos o planeamento dos trabalhos e testamos o esquema de amostragem. Visitamos a tabanca (aldeia) Ganfati onde falamos com o Jarga (chefe de tabanca) que nos autorizou a testar os métodos de amostragem nas redondezas da tabanca.


 
Casa em Bafatá

 
 Equipa reunida a planear os próximos passos


 
                                              Agostinho com o Jarga - Amarafati

 














Marco com a sua troop


Hora de almoço, acompanhados por guias da tabanca


Pessoal da vegetação em acção


Avistamento de "sanchu pretu" (macaco verde).

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Em Bissau e Bafatá tudo bem

Olá a todos
A chegada à Guiné-Bissau da equipa que viajou de carro aconteceu no domingo 20 de Janeiro
Toda a equipa chegou bem, assim como o veículo
Reunimo-mos em Bafatá com a equipa da sociologia rural já no terreno (Marina Temudo e Pedro Santos)

Os elementos que vieram de avião chegaram na madrugada de 21 de Janeiro
Toda a equipa da campo está reunida e motivada para o trabalho
Vamos começar assim que tenhamos resolvidas algumas questões administrativas em Bissau

Quanto ao blog, vamos colocar mais fotos assim que possível


 

sábado, 19 de janeiro de 2013

 
Dia 18 - Passagem da Mauritânia para o Senegal
 
 
Partimos de Nouakchott em direcção ao Senegal passando pelo Parque Natural de Diawling onde vimos javalis e uma variedade de aves ! Atravessamos ambas as fronteiras sem problemas, embora com muitos pedidos de "cadeaux" e "tangal" e pernoitamos em Thiés, a 30km de Dakar.
 
Chegada ao parque natural
 
Pelicanos

Peixe-gato

Um bando de flamingos

e de íbis

 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

17 de Janeiro: de Nouadibou a Nouakchot, com foca monge, deserto e encontro com ilustre patrício




No Centro de visitantes da foca monge



onde os funcionários locais nos receberam com simpatia

  ... e eis um macho de foca monge, em atividade alimentar,
 um dos mamífaros mais raros e mais ameaçados











Vegetação sub-desertica do Sahara mauritano



... e dunas de uma beleza indescritível.



Em Nouakchot encontrámo-nos com o António Araújo (Kaiser para os amigos) que nos recebeu na sede local do Parque do Banc d'Arguin e que nos proporcionou alojamento.
Não tendo sido possível visitar o Banc D'Arguin nesta viagem, ficou a vontade de o conhecer no regresso.


 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013



16 de Janeiro de 2013

Já entrámos na Mauritânia. Estamos em Nouahdibou, no Norte.  Ontem descemos de Layounne até Dakhla, com uma paragem no Boujador. Colhemos algumas plantas no deserto e vimos Bucanetes githagineus, o trumpet finch! Hoje, saímos de Dakhla em direcção à Mauritânia. Muitos quilómetros de deserto, vento e areia. As passagens nas fronteiras foram tranquilas, e a região de No man’s land (terra de ninguém), no mínimo desconcertante. E, 3382 km completos! Aqui ficam algumas fotos.


Deserto

Cabo Bojador - corvos marinhos

Libelinha


Down the road N1

Passagem pela "No man's land"